!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Panteras Rosa

quinta-feira, março 08, 2007

ESTA SEMANA NA VISÃO






Assumidos e sem medo
"Os jovens homossexuais portugueses estão a assumir-se cada vez mais cedo, apesar do estigma que ainda existe. A VISÃO desta semana publica uma investigação sobre o tema. Aqui, oiça os testemunhos de quem se assume, leia a opinião dos especialistas e tire as suas dúvidas. E, se desejar, assuma-se também".


Para quem não acredite na utilidade valiosa que tem tido o nosso pequeno associativismo lgbt, fica o lembrete de que há apenas 13 anos, era assim:

Tão diferente: escondido e marginal, de vivências absolutamente confinadas ao gueto da noite, abordado com pinças e como coisa estranha, vejam as diferenças com o tratamento de hoje;
Quanto actual: se pensarmos que muita gente, senão a maioria, continua a viver a discriminação em pleno sem muitas diferenças com o que se vivia nesta altura. Contradições da evolução que tem certamente havido em Portugal mas que continua a ser limitada e a justificar cada vez maior envolvimento e consciencialização da comunidade LGBTna luta pelos seus direitos, com destaque particular aos grupos mais discriminados no seu próprio interior. Os sublinhados são meus.
Ah, o artigo é fraquinho e contém várias incorrecções, mas demonstra bem as diferenças entre a realidade de então e a de hoje (bem como as semelhanças que persistem).

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quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Hoje, Portugal vê-se ao espelho

Comunicado de Imprensa - Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia

Aparentemente torturado, moído de pancada por um grupo de catorze adolescentes, abandonado moribundo, pontapeado no dia seguinte para verificar se estava vivo, e finalmente atirado para um fosso com dez metros de profundidade depois de morto. Um assassinato com todos os contornos de um provável crime de ódio - a investigação policial esclarecerá - revelado pelo Jornal de Notícias de hoje, e que terá ocorrido no passado fim de semana.
Em casos desta gravidade, não se especula sem aprofundar a informação disponível. Mas não é cedo para afirmar o que sabemos e sempre soubemos:
Os crimes de ódio existem em Portugal, mas não são normalmente reconhecidos como tal, e acabam por ser julgados como de delito comum. Da agressão implícita à agressão explícita, e sim, aos casos extremados como os que resultam na morte de pessoas, tudo isto existe. Situações de assassinato não serão frequentes, muito menos com menores envolvidos.

Mas os casos de perseguição homofóbica têm claramente aumentado em Portugal:
A 15 de Maio do presente ano, terá passado um ano sobre a manifestação contra a homofobia que teve lugar em 2005 contra a agressão organizada de que eram sistematicamente vítimas os homossexuais na cidade de Viseu, caso denunciado pelas panteras Rosa. Desde então, um manto de silêncio. Que faz a Justiça? Porque demora tanto o Ministério Público? Já foi esquecido e arrumado? Será porque ainda não morreu ninguém em Viseu?
Situações idênticas à de Viseu têm vindo a ser denunciadas um pouco por todo o país, como em Braga e Évora. No último ano foram relatados, e encontram-se sob investigação, vários casos de agressão por populares ou agentes das polícias a homossexuais por motivo da sua orientação sexual. Em Portalegre, em 2005, a Justiça decidiu favoravelmente à queixa de um sexagenário agredido no centro da cidade por ser homossexual. No Porto ou em Guimarães, mas também em Lisboa, registaram-se nos últimos anos casos de assaltantes especializados no rapto e roubo de homossexuais. Recentemente em Vila Nova de Gaia, um casal de jovens alunas foi discriminada e levada à exclusão escolar pelos próprios docentes de uma Escola Secundária. Muitos outros casos chegaram ao conhecimento público. Outros não.
Precisamente hoje, a imprensa divulgou que o casal de lésbicas que recentemente iniciou uma batalha legal pelo direito ao casamento civil foi forçado a apresentar queixa na GNR devido a ameaças por parte dos vizinhos.
Um estudo do Observatório Nacional de Saúde sobre a violência no meio escolar, de 2001, revelou então que "os grupos contra os quais 26 por cento de jovens violentos exerciam ou seriam capazes de exercer violência eram, por ordem, ciganos, toxicodependentes, homossexuais, africanos e alcoólicos". É claro para nós que os opositores da igualdade de direitos para a comunidade gay, lésbica, bi e trans portuguesa têm em vista a continuidade de um modelo social assente na hipocrisia e no preconceito, e que à ideologia do ódio corresponde sempre uma prática do mesmo. É este o sacrossanto modelo que queremos continuar a transmitir e ensinar aos nossos filhos? O ministro da Solidariedade e Segurança Social diz-se "chocado". Hoje, Portugal vê-se ao espelho?
Três vezes marginalidade, três vezes exclusão. Aliás, quatro, porque culpados ou não, os jovens suspeitos do assassinato pertencem a uma das instituições de um sistema de protecção de menores que que cada vez deixa mais claro ser mais parte do problema que da solução. A vítima mortal era, segundo o JN, frequentemente perseguida pelo grupo.
Em Portugal, várias instituições do chamado Ensino religioso ensinam militantemente, com direito a explicitação curricular, que a homossexualidade é uma realidade condenável e pecaminosa aos olhos de Deus, e que o deve ser socialmente. Os jovens em causa encontravam-se nesse contexto de educação religiosa, num colégio ligado aos salesianos. Não relacionar a expressão da homofobia, mesmo dos seus extremos, com a des-legitimação discursiva, ideológica e social de que são alvo as orientações sexuais e identidades de género não-conformes com a maioria é querer ver os efeitos sem querer conhecer as causas. Não é assim, perante a indiferença da maioria e dos responsáveis políticos, que os preconceitos sociais e sexuais se vão reproduzindo ad eternum de geração em geração? Os jovens suspeitos do homicídio no Porto afirmaram não ter tido intenção de matar. "Não matarás", dizem os mandamentos. Mas podes bater à vontade?
Três vezes discriminação, três vezes fragilidade, catorze vezes ódio: travesti, toxicodependente, sem-abrigo - a demonstrar como se associam, sobrepõem e reforçam mutuamente as diferentes exclusões em Portugal -, que não se diga nos media, apenas, que a vítima o era, e que não se esqueça, sobretudo, que em primeiro lugar era uma pessoa, e um alvo fácil. Mas não faltará neste país quem pense - mesmo que não exprima - que alguém assim merece morrer.
Sobre este crime, de qualquer forma hediondo, o movimento Panteras Rosa - Frente de Combate à Homofobia, questiona o país:
E agora, senhores, a homofobia continua ignorável? É assim tão descurável num Portugal em que até crianças são levadas a discriminar a ponto de recorrerem à agressão física?
Julga o Estado que favorece outro exemplo quando é o primeiro a discriminar, nas leis e na vida? Ou julga que não dá exemplos?
Que julgará o director do Jornal Público, que com excelente sentido de oportunidade sugeria ontem no seu editorial que a eventualidade de a homofobia ser acrescentada à legislação sobre crimes de ódio - como proposto recentemente no Parlamento - era uma tentativa de limitação da liberdade de expressão? César das Neves - longe de ser o único - agradece-lhe, com certeza, a simpatia. Porque ele sim, sabe, mesmo que não admita, que as posições medievais e cataclísmicas que vem defendendo sobre a homossexualidade e a sexualidade em geral têm consequências. A des-legitimação social, a discriminação e a desigualdade geram ódio, e este por vezes chega a extremos. Nada consigo?
Estamos já à espera que os senhores venham desvalorizar o crime - e/ou o ódio -, e já tentamos adivinhar argumentos? Será pela idade dos agressores ou mais pelo lado da marginalidade da vítima? Ou será que estes jovens estavam apenas no limite da liberdade de expressão?
Ao governo e aos partidos políticos, perguntamos para quando o assumir de responsabilidades, o reconhecimento da discriminação relativa à orientação sexual e à identidade de género como um grave problema social. Exigimos que estas discriminações sejam incluídas na legislação sobre crimes de ódio, exigimos a implementação séria da Educação Sexual nas escolas, com políticas educativas concretas contra as discriminações, seja pela condição social, orientação sexual, identidade de género, nacionalidade, deficiência ou outros motivos. Exigimos o reconhecimento oficial do 17 de Maio enquanto Dia de Luta Contra a Homofobia. Exigimos políticas de igualdade e justiça social, ao invés das que promovem activamente as exclusões.
Exigimos que este e todos os casos que se encontram presentemente em trâmite judicial sejam realmente investigados e contextualizados, e que se faça realmente justiça. Exigimos igualdade plena e todos os direitos, e o fim da discriminação.
Exigimos também, indignação e consequência.

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sexta-feira, dezembro 30, 2005

Um milhão, what's new?

Vale a pena olhar para o estudo a que o Expresso dedica hoje a sua capa. Dizem-nos que entre bi e homossexuais, seremos 9,9 por cento da população portuguesa, cerca de um milhão de pessoas. Que o assunto seja puxado para manchete, entre tantos outros dados presentes no estudo, dá que pensar: é como se o Expresso descobrisse agora que a homossexualidade existe e ficasse de boca aberta. Tanto/as?! Fora todos e todas aqueles e aquelas que não sabem, não questionaram, não assumem ou têm mesmo raiva de quem o faz.
Mas o dado mais curioso é aquele que não apresentado como resultado: que dois terços dos inquiridos neste estudo, anónimo e confidencial, se recusaram pura e simplesmente a responder, por vergonha, preconceito ou tabu incapacitante, às questões sobre a sua sexualidade e a dos outros, a ponto de se ver gorado o objectivo de um estudo representativo da população portuguesa. Ficamos então a saber que a amostra só pode ser considerada representativa dos e das jovens entre os 15 e os 30 anos. E esta limitação diz mais sobre a incapacidade e obscurantismo dos portugueses quanto a debater abertamente as questões da sexualidade do que todo o estudo em si.
O Expresso revela-nos outros números: neste jovem universo cerca de 15% dos homens recorrem a prostitutas e mais de 15% usam o preservativo às vezes ou nunca, cerca de 17% das mulheres já praticaram aborto e, destas, 80 % fizeram-no clandestinamente... em Portugal. E, sem surpresa, mais de 70 por cento destes jovens são pela descriminalização desta prática. Quase tantos como os quase 80% que se manifestam contra a adopção de crianças por casais homossexuais.
Sobre este dado, um comentário particular: a população homossexual tem sido acusada de reivindicar a adopção por inaceitável "capricho" (Miguel Sousa Tavares dixit) quando estão em jogo as vidas de crianças. Na verdade, como mais uma vez se vê, a adopção homossexual é, sim, um fantasma e uma obcessão da sociedade hetero. Se assim não for, como se explica que a questão seja sempre colocada em torno da adopção, ao invés de se confrontarem as opiniões com uma realidade muito mais premente e emergente, a da homoparentalidade: dos milhares de gays e de lésbicas portugueses/as que já hoje têm filhos e filhas biológicos? Que diriam então as mesmas pessoas que se pronunciam contra a adopção por homossexuais? Se fossem coerentes, que estas crianças deviam ser retiradas aos seus pais. Toda a gente sabe que estariam melhor nas casas pias deste país?! Tenham dó! Há milhares de anos que homossexuais fazem crianças dentro da prisão do casamento hetero, a que eram obrigados pelas circunstâncias opressivas. Agora, só querem - os/as que querem - fazê-los livremente. Aliás, já os fazemos. A nossa orientação sexual não nos retirou capacidade reprodutiva, que história é essa de que homossexuais não podem ter filhos? Não só podemos, como fazemos: não esperamos pela autorização nem do Estado nem de nenhuma maioria heterossexista. Não deixa de ser engraçado que a sociedade se pronuncie maioritariamente contra a possibilidade de homossexuais assumirem a guarda de crianças, acreditando que têm a legitimidade ou o poder para nos impedir de o fazer. :) Wake up, babies, look around, a realidade ultrapassa há muito a vossa fic(xa)ção. Bom proveito vos faça o preconceito, mas tirem o cavalinho da chuva: ele já não nos impede de viver as nossas vidas.

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quinta-feira, novembro 24, 2005

COMUNICADO DISTRIBUÍDO HOJE

Comunicado distribuído hoje pelas Panteras Rosa na acção realizada esta tarde nas instalações do Ministério da Educação, em Lisboa. Entretanto, soubemos que na sequência da nossa acção de ontem nas instalações da Direcção Regional de Educação do Norte, vai ser (ou já foi) anulado o conjunto das faltas das duas alunas em causa, o que constituia uma das nossas principais reivindicações.

Casal de alunas perseguido em Escola Secundária
A ESCOLA COMO POLÍCIA DE COSTUMES?

A Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, tem um regulamento particular: os alunos e alunas estão proibidos de ter demonstrações de afecto entre si: nem beijos nem mãos dadas, nem namoros. Qual a motivação para a bizarria? O namoro entre duas alunas que a escola entendeu que tinha que ser reprimido a todo o custo. “Se querem ser lésbicas”, foi-lhes dito, “sejam-no fora da escola”. Porque dentro daquela escola, parece, só se pode ser heterossexual (e mesmo assim sem expressões de afecto visíveis).
Mas se estamos hoje frente ao Ministério da Educação, é para trazer ao nível mais alto da tutela do sistema educativo um problema que vai para lá de uma única escola de Vila Nova de Gaia, e está longe de se colocar apenas no Norte.

Há que admitir que o caso da Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, recentemente denunciado pela comunicação social, revela um problema nacional a que urge responder: a total impreparação da escola, dos seus docentes e pessoal auxiliar ou administrativo para lidar com as expressões de afecto mais do que naturais entre jovens alun@s do Ensino Secundário que se encontram em idades normalmente exploratórias da sexualidade. E a ausência de investimento em tentativas de resposta a este obstáculo, que consideramos ser dos maiores à efectivação da Educação Sexual nas escolas, para lá da boa ou má vontade dos sucessivos ministros para com o tema.

Consideramos indispensável que o Ministério da Educação actue sobre o caso específico daquela escola mas, igualmente fundamental é dar um sinal político, nacional e pedagógico que previna casos idênticos no conjunto do sistema educativo. Um sinal da intolerabilidade da discriminação no meio escolar, sobretudo quando dirigida por professores contra alunos e alunas, assumindo a escola o papel de uma espécie de “polícia de costumes”.

Ao contrário, a escola é um local de formação para a vida: está na hora de o Ministério da Educação assumir responsabilidades na prevenção da homofobia nas escolas, na formação do pessoal docente e não-docente, na concretização e generalização da Educação Sexual e da Educação contra todas as discriminações.

Infelizmente, a atitude dos funcionários e professores da Escola Secundária António Sérgio teria provavelmente sido a atitude de muitos outros agentes do sistema educativo, noutras escolas. Que o Conselho Executivo em causa tenha instituído um regulamento informal proibindo as expressões de afecto entre alunos, e mesmo tendo como motivação a repressão discriminatória do afecto entre duas alunas, é uma situação a que só se pode responder com um sinal contrário, e com diálogo e formação.

Na António Sérgio, porém, docentes responsáveis pelos órgãos de gestão da escola comunicaram aos pais de uma das alunas, maior de idade e que é a sua própria encarregada de educação, o lesbianismo da filha, desencadeando um drama familiar. Revelaram à comunicação social pormenores da situação escolar das alunas que claramente são confidenciais fora da relação de confiança que se pressupõe existir entre a escola, os alunos e os encarregados de Educação. “Empurraram” as duas alunas para o absentismo escolar. Um director de turma julga-se no direito de comparar “homossexuais” e “drogados” em plena aula. Atitudes inaceitáveis no sistema educativo que, essas sim, exigem a apuração de responsabilidades por parte da tutela.
Porém, duas semanas após a divulgação do caso, nem sinal político, nem sinal de inquérito ao sucedido, nem salvaguarda da situação escolar das duas alunas no presente ano lectivo. Que pensa fazer o Ministério da Educação?

Panteras Rosa – Frente de Combate à Homofobia
24 de Novembro de 2005

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quarta-feira, novembro 23, 2005

A Escola como "Polícia de Costumes"

Olá, talvez tenham visto na TVI ou na SIC a acção das panteras rosa quedecorreu hoje nas instalações da Direcção Regional de Educação doNorte, no Porto.
Activistas das Panteras entraram nas instalações deste organismo, colando cartazes contra a homofobia nas escolas, enquanto um outro grupo permanecia à porta das instalações com narizes de palhaço, caracterizando, precisamente, de "palhaça" a atitude da DREN que, duas semanas após a denúncia pública da discriminação de duas alunas lésbicas na Escola Secundária António Sérgio, Vila Nova de Gaia, continua a não tomar qualquer medida concreta. Hoje, porém, sob a pressão da nossa acção, a directora-regional de Educação foi forçada não apenas a pronunciar-se, mas também a admitir que aquele caso foi uma situação de homofobia, que outros existirão noutras escolas, embora a DREN deles não tenha conhecimento, e que a questão exige uma intervenção da tutela e "um grande debate". Em consequência da acção, ficámos com uma reunião agendada com a directora-regional para dia 30.
Amanhã, será a vez das instalações do Ministério da Educação em Lisboa. Por volta das 13h iremos ocupar as instalações do piso térreo do ME na Av. 5 de Outubro, para expressar as mesmas reivindicações:
- a instauração de um inquérito e consequentes medidas disciplinares contra o director de turma das duas alunas, que além de comparar a homossexualidade aos "drogados" durante as aulas, chamou a família de uma das alunas, maior de idade e sua própria encarregada de educação, paradenunciar o lesbianismo da filha;
- a demissão imediata do Conselho Directivo da Secundária Antº Sérgio, responsável por um regulamento inconstitucional porque motivado pelopreconceito, e que se julgou no direito de revelar à comunicação social pormenores da situação escolar - claramente confidencial - das duas alunas;
- uma tomada de posição clara por parte do Ministério da Educação no sentido de esclarecer nacionalmente a inaceitabilidade da existênciade regulamentos formais ou, como neste caso, informais, destinados areprimir as expressões de afecto entre alunos, sobretudo se motivad@s- como aqui - por uma intenção de discriminar um casal do mesmo sexodevido à sua orientação sexual
- a concretização e generalização da Educação Sexual nas escolas com amáxima urgência, com uma forte componente de prevenção das discriminações. É tempo de o sistema educativo e o ME assumirem o seu papel na prevenção da homofobia. E não faltam, a esse respeito, propostas de soluções e colaborações concretas por parte de várias associações LGBT para aí vocacionadas.
É obviamente inaceitável que duas semanas após a exposição pública do caso verificado em Gaia, a tutela assobie para o lado sem tomar atitudes ou qualquer medida, como se não fosse nada consigo.

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quarta-feira, novembro 16, 2005

A Anita não entende

Há sábados em que mais valia não ter saído da cama. Foi o caso do último, em que a leitura do "Expresso" me estragou o dia e ainda vai prejudicando a semana. Mais concretamente, em inquérito respondido por Ana Cristina Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, eleita há dois mandatos sucessivos numa lista do Bloco de Esquerda, a pergunta sobre adopção por casais homossexuais, respondia a senhora que não entende como se pode desenvolver emocionalmente uma criança com dois pais ou mães do mesmo sexo.
Neste instante o pequeno-almoço azeda, o partido que penso representar a esperança de mudança e de modernidade no país, do fim das opressões e das opressõezinhas, da exploração e da discriminação, é aqui representado por esta mulher que diz isto. Para mais sendo ela responsável pela sua única vitória autárquica, começo a pensar que afinal talvez até tenha sido pelo melhor o Bloco não ter ganho a maioria em mais nenhuma câmara do país.
Anita não entende que utiliza os mesmos argumentos que o conservadorismo católico, de João César das Neves aos organizadores das manifs no Parque Eduardo VII; Anita não quer ver que os homossexuais já têm filhos e que estes não são por isso crianças especialmente deprimidas e destruturadas emocionalmente; Anita não quer crer que o argumento conservador, quando se garantiu o direito ao divórcio, poderia ter sido exactamente o mesmo; Anita não acredita, mas os homossexuais, são pais, mães, tias, avós, vizinhas, cunhados, irmãs, primos, amigos, colegas, certamente que alguns até Presidentes de Câmara; Anita acha que não há, mas há lésbicas, gays e até transgénereos no concelho a que preside; Anita acha que em Portugal os touros deveriam poder morrer na arena e eu acho que as touradas é que perturbam emocionalmente as crianças filhas de heteros ou de homos e já agora também os adultos que fazem do sofrimento e morte de um animal um espectáculo para seu divertimento; Anita pode pensar o que quiser e não entender muitas das coisas que se passam no mundo, mas enquanto fôr presidente de câmara terá de fazer um esforço; Anita é uma mulher independente eleita por um partido que tem defendido a igualdade de direitos e a possibilidade de adopção por homossexuais, mas sendo a única Presidente de Câmara desse partido, deveria abster-se de dele divergir na praça pública tão profundamente;
Anita não entende, mas a verdadeira questão é se quer realmente entender.

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quinta-feira, novembro 10, 2005

Quantas António Sérgio há em Portugal?

Há mais de um mês atrás, panteras portuenses organizavam na Escola Secundária António Sérgio, em Gaia, com outros/as activistas e em conjunto com a associação de estudantes, um debate sobre o tema "Homofobia". O objectivo era tentar mediar o conflito nascido entre estudantes e escola a propósito da repressão das expressões de carinho de um casal de alunas lésbicas que levou a instituição a inventar um regulamento anti-beijos no recinto escolar que só pode ser qualificado de policial, fascizóide e retrógrado, mas que infelizmente ilustra bem o estado do debate - ou falta dele - sobre a Educação Sexual nas escolas e o grau de impreparação dos próprios docentes para lidar com o tema.
Da mera ignorância à homofobia convicta vai, porém, um enorme passo. Claramente, o debate realizado na escola terá cumprido a sua função pedagógica mas não cumpriu a de mediação: a escola foi longe demais e a atitude era convictamente homofóbica, logo, não-alterável, apenas combatível.
Por isso mesmo, o caso invadiu esta semana as televisões e os jornais. O público fica a saber o que já sabiam as panteras: que um director de turma se atreveu a fazer a apologia da comparação entre "lésbicas" e "drogados" em plenas aulas e ainda se espanta - e diz aos jornais - que as alunas sao absentistas e vão chumbar o ano. Que o mesmo senhor cometeu a imoralidade de chamar a mãe de uma das alunas - para mais maior de idade e que era ela mesma a sua encarregada de educação - para lhe denunciar o lesbianismo da filha, numa intrusão inadmissível na vida privada. Que perante isto, a direcção da António Sérgio, ao invés de repreender o docente, resolveu aprofundar a táctica da repressão. Que a Direcção Regional de Educação e o Ministério da Educação preferem manter o bico calado a levar a cabo o absolutamente exigível inquérito e consequentes medidas disciplinares, como se a imobilidade não representasse uma total cumplicidade com a discriminação. Que os seus responsáveis nada têm feito para aplicar a Educação Sexual ou prevenir a discriminação nas escolas, e em particular a homofobia.
Estamos em contacto com as duas alunas e com a associação de estudantes da António Sérgio. Acompanharemos toda e qualquer acção que venham a dinamizar. Sobre este caso, queremos responsabilidades assumidas e que quem as tem dê o exemplo. Que fique clara a inaceitabilidade deste género de procedimentos. Que fique claro que a escola não é a polícia de costumes nem pode sê-lo. Que de uma vez por todas fique óbvia a necessidade de avançar em força com Educação Sexual nas escolas. Que não hajam dúvidas, finalmente, sobre quantas António Sérgio andam aí pelo país.
Sempre que soubermos das situações, as Panteras guardam um rugido para cada uma.

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segunda-feira, julho 11, 2005

Educação Sexual - assinem esta petição

www.petitiononline.com/cartassr/petition
Assinem a "Carta dos jovens portugueses sobre saúde sexual e reprodutiva", iniciativa da Youact - Rede Europeia de Jovens pela Defesa dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, da Não Te Prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais e da Rede Ex-Aequo - Associação de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Simpatizantes". Após o Verão, esta deverá ser entregue ao presidente da República, Governo e Assembleia da República. Parabéns aos responsáveis pela iniciativa, neste país de todos os tabús, hipocrisias e ignorâncias em tudo o que toca à sexualidade e aos direitos reprodutivos. Todas as pressões sobre o tema são importantes.

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quarta-feira, junho 29, 2005

O que andaram os bispos portugueses a fazer ontem

Pasmam-se as alminhas, os comprovados sexólogos e pais que são os bispos portugueses "querem as escolas com uma educação sexual controlada". O que equivale a dizer que não querem uma Educação Sexual.
Para a Igreja Católica, "a educação para a sexualidade deve basear-se nas necessidades dos alunos", logo, "o respeito pelos alunos não permite a utilização de jogos e de outras estratégias, como o desempenho de papéis, que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória, ferindo a sensibilidade e a dignidade dos alunos, e não respeitando a sua intimidade e pudor". Para os nossos bispos, a actual perspectiva da Educação Sexual "deturpa o sentido da sexualidade, (...) abre caminho à vivência da liberdade sem responsabilidade, pela ausência de critérios éticos, e à aceitação, por igual, de múltiplas manifestações da sexualidade, desde o auto-erotismo, à homossexualidade (...)".
Estamos esclarecidos: Aproveitando a campanha mediática manipulatória organizada pelo jornal Expresso contra a APF, a Igreja Católica versão Ratzinguer volta ao ataque: a Educação Sexual cabe à família (como sempre coube), a imaginação no campo da sexualidade é um perigo (como sempre foi), a masturbação faz crescer pelos nas mãos (como sempre fez), o sexo é mau (fazer bebés não é sexo) e a homossexualidade nem se qualifica (dantes queimavam-se). Entretanto, @s noss@s jovens que continuem a crescer na idade média, a correr riscos desnecessários, a engravidar antes do tempo e a viver a sexualidade na ignorância e na ausência de sentido ético e de responsabilidade.
É nestes momentos que se aplica a frase felina "melhor vir-me que reproduzir-me".

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