!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> Panteras Rosa

quinta-feira, março 29, 2007

Os estudantes e os marginais

Comunicado Panteras Rosa
Associação inaceitável entre homossexualidade, prostituição, droga e criminalidade defendida ontem por associações de estudantes.

Numa altura em que a extrema-direita desenvolve movimentações junto do público universitário e até candidata listas a eleições para associações de estudantes (nada é por acaso, nem sequer ter sido a cidade universitária o local escolhido pelo PNR para o seu mais recente mural contra o "lóbi gay"), algumas associações de estudantes provavelmente mais na linha política da direita clássica, resolveram recuperar sobre a homossexualidade - com o beneplácito das declarações policiais que desmentiam a situação de insegurança mas não a associação abusiva - nada mais nada menos do que o discurso e as associações que eram típicas no período do fascismo: homossexualidade, prostituição, droga e crime.

Numa reportagem transmitida ontem à noite pela televisão SIC, com base numa diminuta concentração de estudantes, e a coberto da temática da "insegurança" que sentirão os alunos da Cidade Universitária, os presidentes das associações de estudantes da Faculdade de Direito e do ISCTE assumem-se não só como defensores dos interesses dos alunos, mas igualmente como púdicos guardiães da moral e dos bons costumes, ao relacionarem os encontros nocturnos entre homossexuais que têm lugar naquela zona, com criminalidade e até tráfico de droga. Ou seja, associando a frequência de engates homossexuais e a referida insegurança.

A linha de argumentação é extradordinária e seria ridícula se não estivesse imbuída de falsidades e de preconceito. A zona da Cidade Universitária tem problemas de segurança reconhecidos, sobretudo no periodo diurno, que é aliás aquele em que existe frequência dos alunos universitários. E é realmente, à noite, um dos pontos de Lisboa, utilizados para encontros homossexuais, que como se sabe não gozam da mesma legitimidade social que os encontros heterossexuais.

Escusado será argumentar sobre a discriminação de que é alvo a comunidade homossexual em Portugal e em como ela empurra muitas pessoas para contextos semi-clandestinos de relacionamento sexual, amoroso, ou simplesmente social.

Mas não só não existe ali, ao contrário de outras zonas, qualquer tipo de prostituição, apenas encontros recatados e consentidos (e não expostos à visão ou ao incómodo de quem quer que frequente a zona) entre pessoas adultas e senhoras das suas decisões. Muitos menos, o "engate" homossexual terá alguma ligação a situações de criminalidade ou de tráfico de drogas.

As declarações destes dirigentes associativos são assim, claramente, ou pelo menos nisso se transformaram, menos preocupadas com a insegurança que dizem estar a ser sentida pelos colegas que representam, e mais com uma cruzada moral, tendenciosa, ignorante e discriminatória, que ofende não apenas a comunidade gay mas também a inteligência dos alunos destas faculdades e, em primeiro lugar, daqueles que entre eles se definirão como homossexuais.

Perante ambas as associações de estudantes, queremos portanto afirmar que:
- para posições de extrema-direita já basta a mesma;
- o alegado problema de insegurança se resolve lidando com ele e não procurando um bode expiatório nem de longe relacionado;
- tal posicionamento moralista merece o nosso inteiro repúdio, como esperamos que o mereça da parte dos alunos.

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sexta-feira, dezembro 30, 2005

Um milhão, what's new?

Vale a pena olhar para o estudo a que o Expresso dedica hoje a sua capa. Dizem-nos que entre bi e homossexuais, seremos 9,9 por cento da população portuguesa, cerca de um milhão de pessoas. Que o assunto seja puxado para manchete, entre tantos outros dados presentes no estudo, dá que pensar: é como se o Expresso descobrisse agora que a homossexualidade existe e ficasse de boca aberta. Tanto/as?! Fora todos e todas aqueles e aquelas que não sabem, não questionaram, não assumem ou têm mesmo raiva de quem o faz.
Mas o dado mais curioso é aquele que não apresentado como resultado: que dois terços dos inquiridos neste estudo, anónimo e confidencial, se recusaram pura e simplesmente a responder, por vergonha, preconceito ou tabu incapacitante, às questões sobre a sua sexualidade e a dos outros, a ponto de se ver gorado o objectivo de um estudo representativo da população portuguesa. Ficamos então a saber que a amostra só pode ser considerada representativa dos e das jovens entre os 15 e os 30 anos. E esta limitação diz mais sobre a incapacidade e obscurantismo dos portugueses quanto a debater abertamente as questões da sexualidade do que todo o estudo em si.
O Expresso revela-nos outros números: neste jovem universo cerca de 15% dos homens recorrem a prostitutas e mais de 15% usam o preservativo às vezes ou nunca, cerca de 17% das mulheres já praticaram aborto e, destas, 80 % fizeram-no clandestinamente... em Portugal. E, sem surpresa, mais de 70 por cento destes jovens são pela descriminalização desta prática. Quase tantos como os quase 80% que se manifestam contra a adopção de crianças por casais homossexuais.
Sobre este dado, um comentário particular: a população homossexual tem sido acusada de reivindicar a adopção por inaceitável "capricho" (Miguel Sousa Tavares dixit) quando estão em jogo as vidas de crianças. Na verdade, como mais uma vez se vê, a adopção homossexual é, sim, um fantasma e uma obcessão da sociedade hetero. Se assim não for, como se explica que a questão seja sempre colocada em torno da adopção, ao invés de se confrontarem as opiniões com uma realidade muito mais premente e emergente, a da homoparentalidade: dos milhares de gays e de lésbicas portugueses/as que já hoje têm filhos e filhas biológicos? Que diriam então as mesmas pessoas que se pronunciam contra a adopção por homossexuais? Se fossem coerentes, que estas crianças deviam ser retiradas aos seus pais. Toda a gente sabe que estariam melhor nas casas pias deste país?! Tenham dó! Há milhares de anos que homossexuais fazem crianças dentro da prisão do casamento hetero, a que eram obrigados pelas circunstâncias opressivas. Agora, só querem - os/as que querem - fazê-los livremente. Aliás, já os fazemos. A nossa orientação sexual não nos retirou capacidade reprodutiva, que história é essa de que homossexuais não podem ter filhos? Não só podemos, como fazemos: não esperamos pela autorização nem do Estado nem de nenhuma maioria heterossexista. Não deixa de ser engraçado que a sociedade se pronuncie maioritariamente contra a possibilidade de homossexuais assumirem a guarda de crianças, acreditando que têm a legitimidade ou o poder para nos impedir de o fazer. :) Wake up, babies, look around, a realidade ultrapassa há muito a vossa fic(xa)ção. Bom proveito vos faça o preconceito, mas tirem o cavalinho da chuva: ele já não nos impede de viver as nossas vidas.

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segunda-feira, julho 11, 2005

Educação Sexual - assinem esta petição

www.petitiononline.com/cartassr/petition
Assinem a "Carta dos jovens portugueses sobre saúde sexual e reprodutiva", iniciativa da Youact - Rede Europeia de Jovens pela Defesa dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, da Não Te Prives - Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais e da Rede Ex-Aequo - Associação de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Simpatizantes". Após o Verão, esta deverá ser entregue ao presidente da República, Governo e Assembleia da República. Parabéns aos responsáveis pela iniciativa, neste país de todos os tabús, hipocrisias e ignorâncias em tudo o que toca à sexualidade e aos direitos reprodutivos. Todas as pressões sobre o tema são importantes.

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quarta-feira, junho 29, 2005

O que andaram os bispos portugueses a fazer ontem

Pasmam-se as alminhas, os comprovados sexólogos e pais que são os bispos portugueses "querem as escolas com uma educação sexual controlada". O que equivale a dizer que não querem uma Educação Sexual.
Para a Igreja Católica, "a educação para a sexualidade deve basear-se nas necessidades dos alunos", logo, "o respeito pelos alunos não permite a utilização de jogos e de outras estratégias, como o desempenho de papéis, que excitam a imaginação e exploram sensações de forma manipulatória, ferindo a sensibilidade e a dignidade dos alunos, e não respeitando a sua intimidade e pudor". Para os nossos bispos, a actual perspectiva da Educação Sexual "deturpa o sentido da sexualidade, (...) abre caminho à vivência da liberdade sem responsabilidade, pela ausência de critérios éticos, e à aceitação, por igual, de múltiplas manifestações da sexualidade, desde o auto-erotismo, à homossexualidade (...)".
Estamos esclarecidos: Aproveitando a campanha mediática manipulatória organizada pelo jornal Expresso contra a APF, a Igreja Católica versão Ratzinguer volta ao ataque: a Educação Sexual cabe à família (como sempre coube), a imaginação no campo da sexualidade é um perigo (como sempre foi), a masturbação faz crescer pelos nas mãos (como sempre fez), o sexo é mau (fazer bebés não é sexo) e a homossexualidade nem se qualifica (dantes queimavam-se). Entretanto, @s noss@s jovens que continuem a crescer na idade média, a correr riscos desnecessários, a engravidar antes do tempo e a viver a sexualidade na ignorância e na ausência de sentido ético e de responsabilidade.
É nestes momentos que se aplica a frase felina "melhor vir-me que reproduzir-me".

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