segunda-feira, julho 04, 2005

A nossa história 4

A perseguição às expressões da homossexualidade na literatura e nas artes vai ser uma constante no Estado Novo, com correspondência absoluta na vida real. O Código Penal de 1952, que se manterá em vigor até 1982 (!), considerava a homossexualidade masculina (o lesbianismo não era mencionado, embora igualmente reprimido, segundo alguns juristas para não dar más ideias às mulheres portuguesas) como crime punível com medidas de segurança contra aqueles que se entregassem "habitualmente à prática de vícios contra a natureza".











A medida de segurança mais gravosa era o internamento. Nestes casos, o destino de quem fosse apanhado e não soubesse ou pudesse pagar à polícia de costumes, ia parar a uma Mitra, como a retratada abaixo, nos anos 50, no Poço do Bispo, em Lisboa. Aqui, eram detid@s tod@s @s que o regime via como "marginais" e um "perigo social": homossexuais, prostitutas, homossexuais e mendigos, tod@s denominados de "indigentes". Noutras localidades do país existiam instalações semelhantes. O período foi estudado pela antropóloga Susana Pereira Bastos e nos anos 80, a fotógrafa Ana Esquível fotografaria a Mitra de Lisboa pouco tempo antes do seu encerramento.

Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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