quarta-feira, junho 29, 2005

A nossa história e a da nossa repressão

Inicio hoje um conjunto de posts baseados na exposição "Olhares (d)a Homossexualidade (um contributo para a história da homossexualidade no século XX em Portugal", realização e património comum do movimento lgbt, um trabalho de investigação de dois anos em que tive o privilégio de participar com uma série de outr@s activistas. A exposição, ainda muito pouco conhecida, foi apresentada ao público, pela primeira vez, em 1999, por ocasião da semana do orgulho lgbt.
Pequenas ou grandes curiosidades de uma parte da história que não vem nos livros.Comecemos pelo "prémio nobel português", Egas Moniz, que além das lobotomias com que achava que estava a ajudar as pessoas com doenças do foro psiquiátrico, ditou em Portugal, para quem não sabe, as regras do olhar "científico" que a medicina moderna lançaria sobre a homossexualidade como uma doença mental e perversão. Infelizmente, tais preceitos estariam na base da criminalização da mesma até 1982, e ainda hoje vemos perdurar os seus efeitos sempre que um novo estudo genético vem tentar dizer que é o nosso hipotálamo, o tamanho dos nossos dedos ou a forma como respondemos às feromonas é que determina a nossa homossexualidade (o que determina a heterossexualidade, claro está, não se pergunta), ou seja, ainda andam à procura da "cura". Um prémio nobel que nos custou caro.

Etiquetas:

Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
DIVULGAÇÃO