sexta-feira, agosto 07, 2009

Psicólogos não devem sugerir aos clientes gay que podem mudar de orientação sexual

Jornal Público de Hoje:
Sexualidade
Psicólogos não devem sugerir aos clientes gay que podem mudar de orientação sexual
07.08.2009 - 09h41 Andreia Sanches
Deve um técnico de saúde mental dizer a um gay que é possível mudar de orientação sexual? A Associação Americana de Psicologia (APA) aprovou ontem em Toronto, no Canadá, uma resolução onde defende que não. O tema tem suscitado polémica em Portugal. Mas a Ordem dos Médicos ainda não emitiu recomendações.

O bastonário Pedro Nunes já disse que "não constitui uma violação ética" um médico aceder ao desejo de um cliente que o procure para alterar a sua orientação sexual. Mas, depois de em Maio alguns psiquiatras e psicólogos portugueses terem vindo a público defender que terapias que têm esse objectivo devem nalguns casos ser usadas, Pedro Nunes anunciou que ia "solicitar aos órgãos técnicos e éticos" da Ordem um "estudo da situação". E respondia assim à chuva de protestos de várias associações e médicos que tais declarações suscitaram.

Até agora, segundo informa a Ordem, não há novidades. Aquela que é a maior associação de psicólogos do mundo, com mais de 150 mil membros, é que parece não ter dúvidas.

Passados em revista mais de 80 artigos científicos, feitos entre 1960 e 2007, aprovou ontem as suas novas orientações. O documento é subscrito pelo conselho executivo da organização e recebeu 124 votos a favor e quatro contra. No mesmo dia, foi divulgado o relatório feito por um grupo de especialistas no qual se baseou a tomada de posição.

O relatório diz que se está a assistir ao "ressurgimento" da utilização de abordagens médicas, religiosas e psicanalíticas destinadas a mudar a orientação sexual dos indivíduos. Mas que continuam a faltar provas de que tais abordagens funcionem - algo que, de resto, tem sido defendido pela Associação Americana de Psiquiatria e pela associação de Psicologia que ontem aprofundou o tema.

Diz a APA que os estudos válidos que existem indicam que é "pouco provável que os indivíduos possam reduzir a sua atracção sexual por pessoas do mesmo sexo". Mais: estudos feitos com rigor "levantam preocupações sobre a segurança" deste tipo de intervenção.

Perante pedidos de clientes que lhes peçam ajuda, os psicólogos devem apostar noutras abordagens que não visem a mudança de orientação sexual, mas que "se baseiem na aceitação, apoio e exploração da identidade sexual". Até porque, lê-se na resolução: as atracções e relações românticas entre pessoas do mesmo sexo, bem como os comportamentos homossexuais, "são normais e variantes positivas da sexualidade humana". Também no que diz respeito às crianças e adolescentes não há investigação que demonstre que as abordagens de mudança de orientação sexual "tenham impacto" no percurso que farão na idade adulta. Tal como não há evidência que "ensinar ou reforçar" comportamentos estereotipados altere essa orientação.

A APA mostra-se, de resto, preocupada com os "tratamentos involuntários" a que possam ser sujeitos os jovens.
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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