segunda-feira, março 19, 2007

Transexuais agredidas e roubadas em Lisboa

A notícia abaixo é do Diário de Notícias de sábado, dia em que já nos tinha chegado parte desta informação por via de um comunicado da Opus Gay, mas temos estado a confirmar e a cruzar informação para vermos como agir.

Transexuais agredidas e roubadas em Lisboa
Fernanda Câncio Gonçalo Fernandes Santos (imagem)

Segunda-feira, duas da manhã. Teresa, 36 anos, está a atravessar a Rua Gomes Freire quando o condutor de um Polo cinza lhe pergunta o caminho para a Segunda Circular. "Hesitei, sem saber como explicar, e de repente apareceu outro tipo. Deu-me uma cabeçada e enfiou-me para a parte de trás do carro, que arrancou logo." A sangrar do nariz partido, Teresa é agredida mais vezes, ameaçada com uma faca "muito comprida" e uma pistola e obrigada a entregar todos os valores que tem consigo.
Nua no Alto de São João
O mesmo sucedera já a duas outras transexuais, nas duas últimas semanas, na mesma zona. Uma das agredidas fez queixa à polícia, a outra, a quem roubaram 250 euros e que foi deixada nua no Alto de São João, não. Teresa já conhecia estas histórias, ocorridas com trabalhadoras do sexo, através da associação Opus Gay (que defende os direitos de gays, lésbicas e transgénero, e à qual as duas outras agredidas narraram o que lhes aconteceu), mas nunca pensou vir a ser vítima dos mesmo assaltantes."Ficaram-me com duas pulseiras de ouro, anéis, setenta euros e um telemóvel 'última geração', além de parte da roupa que trazia", conta. "Tinha ido à inauguração de uma discoteca e fui à zona da Polícia Judiciária (PJ) porque há lá uma loja aberta toda a noite e queria comprar cigarros." Acabou a noite no Hospital de São José. Mas acha que, tudo somado, teve sorte. "Eles podiam ter-me morto. Senti-me completamente à mercê. Quando me largaram, no Alto de São João, o tipo que me bateu, de uns trinta e tal anos e com um ar medonho, puxou-me pelos cabelos para fora do carro e disse: 'Vai, foge, corre'. Ainda me mandou uma pedrada nas costas." Teresa mostra a marca, uma pisadura encarnada. "Embora muito desorientada, fixei a matrícula. Corri para a estrada e parou um carro. O condutor, um rapaz muito simpático, deu-me uma manta para me cobrir e chamou o 112."

"É violência transfóbica"
O carro patrulha da PSP demorou apenas minutos a chegar. Outra unidade pôs-se em perseguição do Polo, que era roubado, mas encontrou-o abandonado. "Acho que estava em Chelas", precisa Teresa, que já identificou um dos assaltantes, o que lhe bateu. "Passei duas horas na PJ, a ver 2500 fotos, até que o descobri. O inspector que me recebeu disse que a descrição que fiz dos dois tipos coincide com a que as outras transexuais fizeram.
"Segundo o inspector lhe explicou, o homem identificado tem cadastro como ladrão de automóveis e será toxicodependente. Não foi possível obter da PJ qualquer esclarecimento sobre estes crimes, que Teresa, como a Opus Gay - que fez um comunicado sobre o assunto - acredita terem uma motivação transfóbica, ou seja, de ódio contra transexuais. Um ódio que outra transexual, Ana, 39 anos, esta uma trabalhadora do sexo que crê ter estado no carro dos assaltantes mas, desconfiada, fugiu quando este parou num semáforo, testemunha diariamente. "Atiram-nos coisas dos carros, insultam-nos... São sobretudo rapazes de 18, 20 e poucos anos. Conheço casos de colegas minhas agredidas. Algumas nem se queixam à polícia, porque sentem que não vale a pena, que ainda lhes dão desprezo por cima."

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