terça-feira, julho 03, 2007

Assembleia Internacional Trans - Panteras em Barcelona

Panteras Rosa integram a "INTERTRANS"

Um representante das Panteras Rosa esteve este final de semana em Barcelona para participar numa assembleia internacional organizada pelo colectivo trans catalão Guerrilla Travolaka (qualquer coisa como Guerrilha Traveca). Uma assembleia essencialmente composta de trans activistas do Estado Espanhol, Catalunha e outras regiões do mesmo, França, Portugal, Inglaterra e Venezuela.
O Stef, que nos representou, descreve assim a experiência:
"Estávamos tod@s de acordo quanto ao facto de o nosso primeiro combate comum ser a despsiquiatrização da transexualidade e a retirada da lista oficial das doenças mentais. Formou-se uma rede internacional a que se chamará "Intertrans " composta já por 29 indivíduos /grupos/ associações, com vista a este combate pela despsiquiatrização, para já a nível europeu. Sendo Portugal o País, de entre os presentes, em que há menor visibilidade trans e muito poucos/as trans activistas, e com uma das situações sociais mais urgentes, Lisboa foi escolhida para uma das próximas assembleias - não antes de 2008 - o que poderá significar para nós a realização de uma acção em Lisboa com a participação destes activistas internacionais.
Por outro lado, a guerilla travolaka manteve correspondência de ordem privada com a equipa oficial dos psiquiatras de Barcelona, e estes são claramente contra a psiquiatrização d@s trans, só faltando ver como poderão ser levados a tomar essa posição publicamente.
Com o apoio de algumas associações lgb, manifestámo-nos diante do edifício da Saúde Mental, onde decorreram performances e se colocou uma faixa: o diagnóstico da disforia é transfóbico. As panteras já estavam na lista das organizações que apoiavam esta acção.

à tarde, houve um colóquio com um público lgbt, onde tive oportunidade de contar o caso do assassinato de Gisberta em Portugal. Resumi também o percurso trans nacional e a situação actual, as dificuldades com os documentos e as mudanças de nome, e a duração inacreditável do processo, bem como da precariedade que ela arrasta consigo para as nossas vidas.
Seguiu-se o debate. À noite, recebi do Colectiu Gay de Barcelona o prémio Triângulo de Ouro, atribuído às Panteras Rosa pelas acções internacionais sobre o caso Gisberta (bravo a todos/as). O prémio para o mais homofóbico foi atribuído à polícia catalã.
No dia seguinte, 40.000 pessoas no Pride de Barcelona, com o tema da despsiquiatrização d@s trans como temática central (vejam o magnífico cartaz abaixo). Aqueceu-me o coração ouvir ler as reivindicações trans perante uma assembleia de 40.000 pessoas, com slogans como "nós somos eufóricos", "o diagnóstico é transfóbico", "os psis são doentes", e na cabeça do cortejo, o carro da Guerrilla Travolaka que levava um conjunto de psiquiatras solidários."

Se é certo que na maioria dos países os procesos médicos de transição não são financiados, alguns há em que o são. E tal como em Portugal, no Estado Espanhol, em algumas das suas regiões, o Estado financia as cirurgias de reatribuição de sexo para transexuais. E, no entanto, sem medo e sem pretensão de perderem esse benefício, que favorece muit@s trans sem as possibilidades económicas que os procedimentos médicos exigem, num país em que a população trans tem já um reconhecimento social com que nós ainda apenas sonhamos, há uma nova geração de activistas trans que está a fazer do combate à psiquiatrização forçada a sua prioridade.
É para vermos quanto longe estamos do que se passa aqui ao lado.




Os nossos parceiros:
http://www.guerrilla-travolaka.blogspot.com/

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Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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