sexta-feira, outubro 07, 2005

Carrilho Via Opus Gay


Há poucos dias, António Serzedelo, principal porta-voz da Opus Gay, juntou-se à campanha do Partido Socialista na capital e garantiu a quem o quis ouvir que o Professor Carrilho era o melhor candidato para os gays e as lésbicas da cidade.
Não sendo a primeira vez que Serzedelo toma posição pública ao lado das candidaturas do PS, não deixa de ser um facto relevante por ser protagonizado por quem passa grande parte do tempo a clamar contra o Bloco de Esquerda e a sua suposta influência no associativismo LGBT. Quem não se lembra dos comunicados de imprensa recentes da Opus que “denunciavam” ao mundo os membros simultâneos dessa organização política e de associações de defesa e afirmação dos direitos sexuais? Entre aqueles e aquelas que de facto o eram e todos os outros que não passavam das mais absurdas invenções do dirigente da Opus… Quem não se lembra do António Serzedelo a imaginar-se vitima de uma enorme maquinação em que o Bloco instrumentalizava todos à sua volta, e em que o mundo do associativismo LGBT era a fachada de uma militância política com propósitos inconfessáveis?
Este apoio e a militância de Serzedelo no PS tem o mérito de tornar esta sua obsessão com o Bloco mais clara. Tem ainda a vantagem da acção cívica e da tomada de posição de um dirigente associativo que não se alheia da política nem da realidade da governação sua cidade. Sem complexos nem subterfúgios.
Apenas um pormenor: António resolveu justificar o apoio à candidatura socialista com a promessa de "gabinetes contra as discriminações"e da cedência de um espaço no centro da cidade para a realização do Arraial Pride. Não teria sido preferível ter o candidato Carrilho a fazer essas promessas em vez do dirigente da Opus Gay por ele? Ou será que Carrilho delega em Serzedelo o seu programa para a comunidade LGBT da cidade? Ou poderá ser ainda porque prefere não se comprometer muito com estas promessas, não dizendo o que outros dizem por si? Mas se há aspectos que nos aproximam da Opus Gay é saber que no activismo LGBT é preciso dizer com todas as letras aquilo que se tem para dizer. Sem medo das palavras ou de provocar os léxicos de insulto do reaccionarismo mais primário. Um candidato de esquerda à Câmara de Lisboa precisa de dizer a palavra “homossexual”, “lésbica” ou “transgénero” sem hesitações ou vergonhas. Um candidato socialista à Câmara tem necessariamente de defender as suas propostas, e de cara levantada, caso contrário arriscam-se a ser meras promessas que se esquecem após contados os votos.

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