quinta-feira, setembro 08, 2005

O Ovo da Serpente

Tão antiga como a extrema-direita é a discussão, do lado progressista, sobre como lhe reagir.
Ensina-nos a história, a do século passado e a mais recente, que o fascismo e as suas ideias de ódio não desaparecem nem deixam de se reforçar quando, como a avestruz, metemos a cabeça na areia pensando que o melhor é "não lhes dar importância". Neste blog, já fomos acusados de ajudar a promover a divulgação da manifestação anti-homossexual organizada pelo pnr para dia 17 deste mês pelo facto de alertarmos para a sua existência e para a necessidade de uma resposta.
Quando deveremos "dar-lhes importância"? Quando forem já maiores do que a nossa capacidade de resistência? Alguém duvida de que a extrema-direita portuguesa, na sua limitada importância e inteligência, esteja a crescer e à beira de uma das suas maiores vitórias simbólicas dos últimos anos: já com rosto de partido político legal, conseguir banalizar as suas manifestações públicas, e, com direito a "prime-time" mediático, os seus discursos de ódio?
O principal perigo da extrema-direita - e não devemos ter medo de afirmá-lo - está em que esta exprime com violência, com uma proposta de radicalização do ódio, o que uma parte da população pensa mas não tem a coragem de exprimir. É essa a importância que devemos dar ao fenómeno. E não ignorar actos anti-constitucionais como a manifestação de dia 17. Pelo contrário, responder sempre. Há duas formas de lidar com o tema - calar o assunto e criar silêncio à volta dele (para não lhe dar importância) ou pelo contrário começar desde já a combater explicitamente o caldo cultural e social que serve de base de crescimento às ideias neo-nazis.
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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