sábado, junho 21, 2008

Espaço ao Sobrenatural (uma rubrica ficcional)

Quem Tem Medo Da Bicha Burguesa?

O feminismo é um assunto demasiado humano. Implica um desestruturação profunda do que tomamos por natureza, do pensamento binário, que excede em largo os estudos de género ou outros guettos do pensamento prático. Sistemas completos de "metáforas", sistemas simbólicos, são construídos sobre a oposição Homem/mulher, como o Zero se opõe ao um. Pensar que é menos que isso é estar ao engano, ou necessidade de estar embrenhado no processo de enfrentar o que é urgente e chocante.
Perante o que é urgente e chocante, não temos outra hipótese que a caridade. Remendos constantes, abrigos, diques, estruturas para-sociais onde os afectados possam descansar antes de saltar novamente para a corrente. Quem está em posição de fazer caridade?
"A alma nasce com a forma do corpo", dizia assim mais ou menos um velho, referindo-se ao combate entre a matéria e a ideia. O que é conceptual no feminismo vem também da academia, do isolamento, de longe da palavra comum.
Ademais, quem aguenta a desestruturação, a banca rota psicanalítica, se não estiver precisamente a passar por ela?
Por tudo isto o feminismo é negro. Mete as mãos na merda. Acaricia.
Um conservadorismo exclusivo em feminismo é repugnante. O poder é uma praxis, e a praxis é capaz de surpresas. Reclamar uma acima das outras, como a verdadeira é alinhar com o inimigo. Não é o intuito de todo o feminismo dissolver uma estrutura de poder já conhecida e instalada pela participação agente nessa estrutura?
Todo o tema sexual faz parte do feminismo porque faz parte do desequilibrio de poder baseado numa política reprodutiva-económica específica delineada para priviligiar o nome do pai.
Tomar LGBT e poliamor como desvios é curto. Poliamor não é monogamia, nem poligamia, cujo objectivo é privilegiar o nome do pai. LGBT são praxis atacadas por perturbarem o privilegio do nome do pai. Onde está a falta de feminismo nisto? Só se for falta de cartilha.

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