segunda-feira, junho 20, 2011

Pelo 4º ano consecutivo, a maior Marcha de sempre!







Intervenção de Mi Guerreiro, em representação das Panteras Rosa, no final da Marcha:
"· Na última década e meia, o activismo LGBT nasceu, consolidou-se, visibilizou-se e acumulou vitórias legais enquanto reforçava as suas redes de actuação e solidariedade, intervindo na sociedade contra a discriminação, e, claro, não apenas por marcos legais.

· No plano legal, continuaremos a lutar pelo reconhecimento dos nossos direitos parentais e contra as cláusulas discriminatórias na leis de união de facto e na nova definição de matrimónio no Código Civil. Lutaremos também pela aplicação da Lei que facilita a mudança de nome e sexo - recentemente aprovada com a oposição dos partidos hoje no governo - mas exigimos mais.

· Queremos a despatologização das identidades transexuais e transgénero e o fim das cirurgias a bebés intersexo. Afirmamos que a transexualidade não é uma doença mental e fazemos nossas as palavras do Movimento Stop Patologização 2012: "(...) sabemos que não há só homens e mulheres e que temos o direito a decidir livremente se queremos ou não modificar os nossos corpos." Um movimento emancipatório terá sempre de afirmar os direitos das pessoas transexuais, transgénero e intersexo como cidadãos de pleno direito, e nunca tomando para si mesmo a classificação médica e moral de "doentes mentais".

· Mas vivemos, hoje, um contexto inteiramente distinto daquele em que cresceu o nosso movimento em Portugal. Um tempo de graves ameaças nacionais e globais à democracia e à liberdade de expressão, de chantagem financeira, de crise económica, social e política sem precedentes, com um governo de direita desfavorável à agenda dos direitos lgbt e que anuncia o endurecer de medidas de austeridade e empobrecimento social, e um ataque feroz aos direitos de cidadania e aos direitos humanos. COM MAIS QUATRO ANOS DE DIREITA VAMOS TOD@S, CERTAMENTE, PRECISAR DE MUITO AMOR.

· Desde a ameaça à continuação da prestação de cuidados de saúde às pessoas transexuais no SNS; aos jovens - @s lgbt e @s restantes - que cada vez encontram mais dificuldades no acesso à sua autonomização material - logo, sexual - relativamente à família; ao reforço de preconceitos e à procura de bodes expiatórios que as situações de crise económica comportam, os exemplos não faltam para não nos deixarem duvidar de que também as vivências LGBT serão duramente afectadas pela actual crise.

· Na África do Sul do apartheid ou nas lutas por democracia nos países do Leste, em tantos outros exemplos, os movimentos LGBT estiveram sempre no coração das grandes mobilizações sociais e do exercício da solidariedade, não se encerrando no engano de uma causa LGBT completamente estanque. Grande parte do movimento LGBT em Portugal soube abrir-se, nos últimos anos, aos restantes movimentos, relacionou discriminações e combates, apoiou assumiu causas como da legalização do aborto, integrou novas causas como o poliamor. Somos parte deste país, existimos e exigimos, e somos parte, também, das soluções. E venha o papa, o papão ou o FMI, os direitos LGBT - como todos os direitos - também não estão no mercado de capitais nem se negoceiam. Os nossos direitos não estão à venda!"

Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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