segunda-feira, julho 21, 2008

Japão: Apoiar as “Mulheres de Conforto”

Passados mais de 60 anos desde a Segunda Guerra Mundial, 200.000 mulheres continuam a lutar para que lhes seja feita justiça. Estas sobreviventes foram, em toda a década de 30 e durante o conflito armado, forçadas a “servir” o exército nacional enquanto “escravas sexuais militares”. A maior parte tinha menos de 20 anos, e algumas tinham apenas 12 anos de idade, quando foram capturadas ou enganadas para acompanharem os militares. São hoje conhecidas por “mulheres de conforto”.

A dimensão real desta escravidão sexual nunca foi reconhecida, ou aceite, pelo governo japonês. E refira-se que estas sobreviventes sofreram danos psicológicos e físicos irreversíveis, que resultaram, em muitos casos, no isolamento, na vergonha e na extrema pobreza. Por isso, ao longo de décadas estas “mulheres de conforto” têm apelado à “responsabilização moral” por parte do estado japonês, ao reconhecimento público dos factos históricos e a compensações. Têm ainda contado a sua vivência ao mundo, inspirando um movimento global que exige reparação pelos crimes sexuais.

Muito graças a elas, a escravidão sexual é hoje reconhecida como um Crime Contra a Humanidade pelo Tribunal Penal Internacional, porém, a justiça japonesa continua a negar os acontecimentos. Muitas das sobreviventes faleceram entretanto, devido à avançada idade, mas Gil Won-Ok (na foto) acredita que “enquanto as próximas gerações souberem de tudo, nada vai ser esquecido”. A Amnistia Internacional lembra que a recusa de justiça prolonga a humilhação e o sofrimento das vítimas.

Acreditamos que o Estado Japonês tem a obrigação legal, para além de moral, de compensar as “mulheres de conforto”. Neste sentido, a Amnistia Internacional tem apelado a vários países para que adoptem resoluções que condenem o Estado Japonês pela sua recusa em aceitar os factos. Os EUA, a Holanda, o Canadá e o Parlamento Europeu já o fizeram. Porém, faltam muitos mais países.

O Governo das Filipinas está já a considerar promulgar uma resolução, e o documento terá uma relevância particular uma vez que muitas mulheres filipinas foram efectivamente “mulheres de conforto”. Ajude-nos nesta missão, incentivando as Filipinas a serem o próximo Estado a passar uma resolução que peça Justiça para as “Mulheres de Conforto”.

Participe em http://www.amnesty.org/en/appeals-for-action/comfort-women-waiting-justice.

in Newsletter Acções e Campanhas de Julho 2008 da Amnistia Internacional Portugal

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