segunda-feira, junho 13, 2005

PROIBIÇÃO MARCHA DO ORGULHO

Sem medo de se repetir, o dirigente da associação Opus Gay, António Serzedelo, volta pelo segundo ano consecutivo a acusar publicamente (esperemos pelos jornais!) as associações que organizam a Marcha do Orgulho LGBT (Panteras Rosa incluídas) de proibirem a sua participação e de serem todas (todas!) fantoches do Bloco de Esquerda.
A alegada "proibição" não o impediu de ter participado no ano passado, sem nenhum obstáculo, nem de ir ter com a imprensa e os partidos políticos como se fosse o organizador do evento (a Opus não esteve envolvida na organização) e nem mesmo de prestar aos jornalistas as tristes declarações que então fez com prejuízo do sucesso do evento, que continua a ser património de toda a comunidade e todo o associativismo LGBT.
Revejamos a história. Desde o seu nascimento (97), a Opus Gay conseguiu entrar em conflito, à vez ou todos juntos, com todos os restantes colectivos LGBT portugueses, e sempre transpôs para a imprensa essa sua guerra, coisa que as associações vítimas desses ataques nunca fizeram.
O culminar desta situação foi o Fórum Social Português em 2003 - e mais tarde a Marcha do Orgulho 2004 - durante o qual todos os outros colectivos LGBT verificaram ser impossível trabalhar com a Opus: ao mesmo tempo que reuniam com esta tentando coordenar trabalho, eram insultados por ela nos jornais, nomeadamente com acusações de partidarização (numa versão preto e branco: na imaginação de Serzedelo apenas a Opus Gay, de todas as associações existentes, não estaria ligada ao Bloco de Esquerda).
Aqui está, portanto, a imagem que António Serzedelo tem insistido em passar a público - a da desunião e partidarização do movimento - fragilizando todo o movimento face à sociedade heterossexista.
Tem-no feito bem. Apesar de todas as restantes associações sempre terem trabalhado juntas, e apesar dos progressos que o movimento tem conseguido, com esse juntar de esforços (Uniões de Facto, fim dos regulamentos discriminatórios, artigo 13º da Constituição, etc), muitos gays e lésbicas pensam mesmo que as associações estão sempre à batatada e não se entendem.
Hão-de reparar, porém, que cada vez que ouvem falar de problemas, a Opus Gay é sempre um dos lados do conflito. Não vos põe isso a pensar que haverá ali qualquer coisa de estranho?

Esclarecemos pela nossa parte:
a) a Opus Gay não foi proibida de participar na Marcha. Esta é aberta a
tod@s.
b) Simplesmente, a Opus Gay não foi convidada a integrar a estrutura que organiza o evento, porque as restantes associações não conseguem trabalhar com esta, e também porque esta associação não se coibiu de prejudicar a própria Marcha de 2004 em nome do ataque público que queria fazer às restantes associações.
c) os colectivos LGBT em Portugal são diversos e autónomos e não têm nenhum condicionamento partidário. Isso parece incomodar...
d) as Panteras, porque são recentes, talvez, tiveram desde o início uma relação cordial e até de colaboração recente com a Opus Gay. Acusamos, naturalmente, o toque de sermos
atacad@s publicamente por uma associação que tomámos e tomamos por nossa parceira no combate à homofobia. Assim queremos continuar, se for possível.

Registe-se finalmente que a calúnia de que a Opus teria sido proibida de ir à Marcha está a produzir bons efeitos: em alguns blogs, comentadores furiosos - que se topa, nunca foram à dita Marcha -oferecem-se voluntariosamente para ir marchar este ano, em defesa do direito de António Serzedelo a estar presente. Venham, vamos
tod@s :)
Assim pois, neste 2005, congratulamo-nos por finalmente a Opus Gay ter resolvido mobilizar para a Marcha do Orgulho.

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Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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