segunda-feira, junho 13, 2005

Adrienne Rich

Em re-leitura recente da ORGANA (Lembram-se? A primeira revista lésbica portuguesa, 1990-1992), encontrei a tradução de um texto de Adrienne Rich, poeta e ensaísta estadunidense, que assim escrevia sobre a lesbofobia em 1980:
"Se olharmos bem e claramente a extensão e elaboração das medidas destinadas a conservar as mulheres dentro do território sexual masculino, torna-se interrogação inescapável se a questão que temos de encarar (...) é, não simplesmente a desigualdade sexual, não o domínio da cultura pelos homens, não meros tabus contra a homossexualidade, mas sim a imposição da heterossexualidade como meio de assegurar o direito masculino de acesso físico, económico, e emocional. Um de entre muitos meios dessa imposição é, naturalmente, a invisibilização da possibilidade lésbica, um continente submerso que se ergue fragmentariamente aos nossos olhos de tempos a tempos apenas para ser novamente submerso (...) o pressuposto que a maioria das mulheres são inatamente heterossexuais estabelece-se como um obstáculo teórico e político para muitas mulheres. Tal pressuposto permanece sustentável, em parte porque a existência lésbica tem sido erradicada da história ou catalogada como doença; em parte porque esta tem sido tratada como excepcional e não intrínseca; em parte porque o reconhecimento que, para as mulheres, a heterossexualidade poderá não ser de todo uma preferência mas algo que tem de ser imposto, gerido, organizado, propagandeado, e mantido pela força é um passo enorme a tomar se uma mulher se considera livre e inatamente heterossexual".

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