quinta-feira, julho 15, 2010

Consensos à força = fascismo mental e discursos únicos

Para bom entendedor, uma imagem basta, neste caso a de cartazes de uma festa LGBT no Porto colados sobre os da Marcha LGBT que ainda estava por se realizar no Porto. Uma boa ilustração para o que quero exprimir: Está mais do que na hora de entender que os consensos forçados a fita cola não beneficiam em nada o movimento lgbt, está na hora de perceber que ele é diverso e tem diferentes posturas e correntes, nem sempre compatíveis, consensualizáveis ou a remar para o mesmo lado. Isso é parte da nossa riqueza e da nossa força. Os discursos segundo os quais "lutamos todos pela mesma causa, temos de estar unidos", na verdade, não têm feito mais do que apagar e silenciar diferenças saudáveis e expectáveis em democracia. Deixem-se de consensos artificiais, o movimento já cresceu o suficiente para ter diversas opiniões e para que estas se possam expressar publicamente, caso contrário o que teremos é o domínio de discursos únicos. Nem sequer estou certo de lutarmos tod@s pelas mesmas causas. Estou certo sim, de que partilhamos pelo menos parte das nossas agendas relativas aos direitos lgbt, mas as Panteras Rosa, por exemplo, lutam por muito mais do que a igualdade de direitos ou do que exclusivamente por direitos LGBT. Não, não temos de estar sempre unidos, temos, sim, de saber quando há que juntar forças, mas também de saber quando é útil à democracia e ao esclarecimento separar águas e exprimir posições e posturas próprias, diferentes, até contraditórias. A mania dos consensos não é senão uma forma de fascismo mental.
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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